quinta-feira, 13 de julho de 2017

Brizola não chegou ao Planalto e as crianças desandaram junto com o Brasil.

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Sem CIEPs, meninos trocaram a caneta por metralhadoras e charutos de maconha. Deu no que deu.

A esquerda não chegou ao poder no Brasil após a Revolução de 1964. Lula nunca foi de esquerda. Como bem definiu Emílio Odebrecht, é só um 'bon vivant'. A Rede Globo já tinha esse perfil em suas anotações. Em 1989, a TV dos Marinho jogou todas as fichas para tirar Leonel Brizola do segundo turno. Ele partiu em primeiro lugar, depois foi atropelado por Fernando Collor, para na reta final padecer do mesmo 'mal' que tirou Marina Silva do segundo turno contra Dilma. A Globo colocou a mão em Lula e o fez adversário de Collor assim como colocou a mão em Aécio e afastou Marina  na disputa direta com Dilma.
No fim do governo FHC, entre José Serra e Lula, a Rede Globo não teve dúvidas. Serra, assim como Brizola, eram 'socialistas fabianos', desenvolvimentistas, nacionalistas. A Globo colocou a mão em Lula novamente e desta  vez o fez presidente. Para isto, fez novelas seguidas alinhadas com as teses do PT. Também liberou seus 'ídolos' para  declararem apoio e participarem de comícios. Lula chegou ao poder, a esquerda não. Os bancos e grandes empresários assumiram o poder. As cartas eram dadas por Marcelo Odebrecht na área de construções, Olavo Setúbal no setor financeiro e Joesley Batista no setor de proteínas. O sistema de ensino foi desmontado. Hoje, somos uma pátria de analfabetos funcionais.

OS CIEPs de Brizola não se espalharam pelo Brasil

Leonel Brizola, como governador do Rio de Janeiro, fazia nascer a esperança de uma pátria educada e instruída. Criou no Rio um sistema de educação moderno e acolhedor, uma obra que aliava arquitetura de Oscar Niemeyer e ideias de Darcy Ribeiro, o ícone da educação pela ótica da esquerda. Os CIEPS, Centro Integrado de Educação Pública, ou Brizolão, como eram batizados, espalharam-se pelas terras fluminenses. Era o laboratório para o Brasil, num hipotético governo Brizola. Educação integral, comida, educação física, esportes, lazer, apoio pedagógico e psicológico. Enfim, o que se espera de uma Nação que quer enfrentar a realidade e vencer as dificuldades através do conhecimento. Porto Alegre foi revolucionada assim e em seguida o Rio Grande do Sul, onde Brizola aplicou a política educacional "Nenhuma Criança sem Escola no Rio Grande do Sul". Brizola governara por lá e fizera a revolução da educação em terras gaúchas.

A música de campanha de Brizola em 1989 era de arrepiar. O vídeo abaixo não deixa dúvidas. As crianças representavam o futuro. Mas o Brasil caiu no conto do Collor. Em seguida, no conto do FHC duas vezes, para logo depois cair no conto do Lula duas vezes e Dilma também duas vezes. Todos eles 'contaminados' e sem projeto de Brasil.  Um maluco de direita conservadora sem rumo e três animais políticos híbridos que não tinham sequer coragem de assumir as bandeiras que defendiam na  época da ditadura. Lula terminou por furtar até mesmo a belíssima história do Partido dos Trabalhadores, uma agremiação partidária fundada por jovens idealistas e velhos companheiros de boa índole e histórico de lutas -  que sirvam de exemplo Luíza Erundina que saiu antes do fiasco e Maurício Rands, o brilhante deputado pernambucano que largou o mandato pelo meio corado de vergonha de sua sigla.


O cartaz solitário de Brizola "Rumo ao Planalto', a Korea do Sul que não chegamos a ser e a piada de Zezé Bandeira.
O Brasil poderia ter seguido o exemplo da Korea do Sul, que superou a pobreza e o atraso por meio de uma política robusta de educação. Contudo, os eleitores fizeram as escolhas erradas. Independente de qual seja hoje ou tenha sido no passado sua visão de mundo e sua ideologia, se de esquerda, de centro ou de direita, o fato é que a escolha à direita foi a pior e à esquerda piores ainda. Quando o Brasil elegeu Collor e deixou Ulisses Guimarães e Leonel Brizola de fora do segundo turno, fez uma escolha à direita. Tinha uma opção bem melhor à direita, que era Afiff Domingos, do antigo PL. Pela esquerda é injustiça comparar Brizola e Ulisses a Lula. Este último é um condenado que responde a vários outros processos que certamente resultarão em novas condenações criminais. Brizola e Ulisses morreram mais pobres do que quando chegaram ao poder. Brizola foi prefeito de Porto Alegre, governador do Rio Grande do Sul, deputado federal e governador do Rio de Janeiro, tendo terminado seus dias de vida com o velho apartamento e a pequena fazenda que recebeu de herança.
O Brasil fez suas escolhas à esquerda e à direita. Todas erradas. Ou deixou de fazer as que de melhor dispunha. Deu no que deu. Hoje somos uma república de bananas. Hoje, a maioria dos políticos é tão ruim e tão desmoralizada que o STF, mesmo desacreditado em função de figuras como Gilmar Mendes, manda e desmanda, faz e desfaz, prende e solta ao seu bel prazer ou à mando do medo do momento.

Em 1989, em Araripina, o cartaz que abre esta postagem 'enfeitou' uma casa que servia de 'república' de dois estudantes. Um deles era o editor deste blog. O cartaz eu trouxe de Recife e colei na parede, numa casa em frente à panificadora São José. Por ser virada para o nascente, a foto ficava apontando para o Bairro Alto da Boa Vista. O outro extremo de Araripina era o Bairro Planalto, o oposto da foto, ou o oposto de para onde Brizola apontava o nariz - "Rumo ao Planalto".
Certo domingo, vindo do Estádio Dozão em grande grupo, o sempre espirituoso Zezé Bandeira saiu com essa: "O Planalto é para o outro lado. Brizola tá correndo pro Alto da Boa Vista. Não vai chegar no Planalto nunca."
Foi maldição. Brizola ainda tinha lugar garantido no segundo turno e era no confronto direto, nos debates contra Collor, que a gente esperava o massacre e o triunfo do "Briza que não alisa". Lula era desacreditado como voltou a ser. A Globo sabia e ainda sabe como escolher o adversário de seus preferidos para vencer. Brizola sofreu severos ataques do sistema Globo e perdeu o lugar no segundo turno daquela primeira eleição direta pós Ditadura Militar. Collor 'comeu' Lula no segundo turno com uma simples pasta cheia de papéis em branco, que o 'barbudo' imaginava ser um dossiê contendo seus podres, já em abundância e temerosos. A pasta surgiu no último debate de uma campanha duríssima. Não havia mais nada a fazer. Lula gelou por falta de preparo e por medo de seu próprio passado.
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Collor e a pasta vazia que Lula tremeu nas pernas por achar que era dossiê de seu passado

Zezé Bandeira acertou o prognóstico e Brizola jamais chegou ao Planalto. Em Araripina, além do voto do editor do Blog, Leonel Brizola (PDT), tirou outros 400 e poucos sem apoio de ninguém. Com seu senso crítico aguçado, ainda hoje Zezé Bandeira reclama o fato de no Brasil as crianças não terem espaço para desenvolver práticas esportivas das quais ele entende muito e poderia ser instrutor num dos CIEPS. Em suma, nem Brizola chegou ao Planalto nem o Brasil chegou ao futuro.
A narrativa (pessoal) que acabo de fazer tem um sentido e uma finalidade: A de 'enquadrar' os socialistas de Iphone que resmungam após lerem as postagens que relatam o melancólico fim do trapaceiro que afundou o Brasil e aniquilou um partido criado por intelectuais e trabalhadores que acreditavam num Brasil diferente. Não sou mais de esquerda. Já fui e não me envergonho. Mas minhas escolhas não abriam espaço para o Brasil virar essa cleptocracia em que se transformou. O erro de votar em Aécio num segundo turno foi pura falta de opção e nunca uma escolha política.


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