sexta-feira, 2 de junho de 2017

Toque de recolher no São João de Pernambuco

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A violência venceu o Santo Casamenteiro, São João e São Pedro. Festas só irão até meia noite com proteção policial. Esta é a primeira grande quebra de 'cumplicidade explícita'.

A FOLHA DE SÃO PAULO TOCOU A FERIDA COM AGULHA FINA.
Primeiro,  a impressão do Meu Araripe. Mais abaixo a reportagem da Folha.

Quantos foram os assassinatos ou atos de violência no São João do ano passado em Araripina para entrar na regra geral, seria uma boa pergunta a ser feita. Se a situação do ano passado é semelhante à de hoje, seria uma segunda pergunta a ser feita. Se Araripina é uma ilha e não deve se ajustar à regra geral, seria uma terceira pergunta. Muitas outras podem ser elaboradas.
O mundo civilizado tem regras antigas, claras e muito duras para lidar com grandes aglomerações, com aglomerações associadas a álcool e diversão, sobretudo as noturnas. Casos agudos são tratados como terrorismo.  Resta saber se nossa política e nossa cultura marcharão no mesmo rumo. Resta saber se a ingenuidade dos índios que povoaram o Brasil deram de vez espaço à selvageria dos brancos e de outras cores que não sabem conviver de forma harmônica e pacífica em sociedade. Resta saber se outros governos farão como Paulo Câmara, que assume publicamente que a guerra foi perdida e toma decisões de ruptura da velha cumplicidade do Estado com a violência. Eis a questão. A decisão foi dura. Pode ser ato de coragem mas também pode ser ato de desespero, medo mesmo de ser mais adiante denunciado e até processado por permitir que multidões sejam expostas ao risco, uma vez que o governo é o 'chefe' da Polícia e sabe perfeitamente tudo o que ocorre, todo o risco envolvido.
Paulo Câmara foi tentado a fazer a mesma coisa no Carnaval. A oposição calibrou no discurso e nas ações pré-carnavalescas para obrigar o Palácio a 'abrir do carnaval'. Como as maiores aglomerações eram em Olinda e Recife, fácil portanto de fazer o cerco, Câmara topou correr o risco e a festa saiu melhor que o previsto. Agora, não ocorre o mesmo quando o território é todo o Estado de Pernambuco. Paulo recuou. Resta saber quem ganhou e quem perdeu. Um governo que conta com menos de dez por cento de apoio à reeleição fica livre para tomar medidas inimagináveis para alguém no topo da fama. Resta saber também a qualidade das decisões dos populistas no topo da fama. Que eles vão beber junto para serem fotografados juntos, isto não há dúvida.   Resta saber a quem se juntam os populistas e com quem se deixam fotografar.  Resta saber também o tamanho do pato que Paulo vai pagar  por jogar água na fogueira do povo pernambucano do interior.
Cidades grandes à beira mar não queimam lenha no dia 23. Sequer sentem o cheiro de milho assado. A fumaça é de Caruaru para cá. Ou seja: 70% da população não foi impactada de forma direta. É claro que as festas familiares estão mantidas, mas a juventude só considera bom o São João que tem som alto e gente junta. Sem afetar Recife e entorno, Paulo só ouvirá as diretas e indiretas via imprensa. A nossa é direta.

Veja reportagem da Folha de São Paulo

Folha de S. Paulo – Kleber Nunes
 Com Pernambuco em meio à pior crise na segurança pública dos últimos dez anos –2.037 homicídios só nos primeiros quatro meses de 2017–, o governo Paulo Câmara (PSB) impôs uma espécie de "toque de recolher" nos polos das tradicionais festas juninas do Estado.
Da próxima sexta-feira (2) a 22 de junho, e de 25 a 2 de julho, os locais de shows só terão policiamento até a 0h, horário em que devem ser encerradas as apresentações. Em 23 e 24 de junho, véspera e dia de São João, os agentes farão a segurança até as 2h. Até o ano passado, não havia limites.
A Secretaria de Defesa Social, responsável pela segurança, determinou, em portaria, que a regra seja definida em termo de ajuste de conduta.
"Os critérios foram estabelecidos em razão do alto índice de criminalidade que identificamos nesses locais durante a madrugada", afirmou o coronel Flávio Morais, diretor do Interior 1, que abrange o agreste, região com tradição nos festejos juninos, incluindo Caruaru (135 km do Recife).
VIOLÊNCIA EM PERNAMBUCO - Vítimas de homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte (de janeiro a abril)
"É uma das medidas da criação de grupos de trabalho que implantamos em 2016 e envolve guardas municipais e bombeiros. Com essa estratégia tivemos uma redução considerável de ocorrências em relação ao ano anterior", disse o diretor.
Dados disponíveis no site da pasta, porém, mostram que junho de 2016 teve alta de 16,3% de vítimas de CVLI (Crimes Violentos Letais Intencionais), que engloba homicídios e latrocínios, em relação a junho de 2015. Ao todo, foram 186 mortos no interior pernambucano, 40 a mais do que na região metropolitana do Recife no período.
O governo Paulo Câmara já atribuiu parte da escalada da violência justamente a uma operação padrão da PM, que desde dezembro reduz o número de homens nas ruas para reivindicar ajustes salariais.

"A maioria [dos hóspedes] pergunta sobre a violência, se o risco de assaltos na região do hotel é alto e sobre assassinatos. Muitos estão com medo", afirmou Claudenice Araújo, 33, recepcionista do Caruaru Park Hotel.
VIOLÊNCIA EM PERNAMBUCO - Taxa de crimes violentos letais intencionais por 100 mil habitantes em 2016*

A assessoria de imprensa da rede Citi Hotel informou que está com apenas 15% dos leitos reservados e que "toda a rede hoteleira está sofrendo".

A norma que determina os horários de atuação do policiamento ostensivo nas áreas de shows e eventos juninos, porém, é flexível, segundo o coronel Morais. "Levamos em consideração a tradição junina dos municípios, em alguns o horário será estendido."
Entre as exceções está Caruaru, que disputa com Campina Grande (PB) o título de maior São João do Mundo. Na cidade pernambucana, os 17 polos contarão com a presença de mais de 13 mil policiais até as 3h nas datas de maior movimento, como a abertura e nos dias 23 e 24 de junho.

O município espera receber 2,5 milhões de pessoas, 500 mil a mais do que em 2016. Em nota, a Fundação de Cultura da cidade diz que as festas devem gerar cerca de 6.000 empregos diretos e indiretos, e movimentar R$ 200 milhões.


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