terça-feira, 6 de junho de 2017

Saindo a transposição sem nada de Canal do Sertão. Não temos força, unidade nem voz.

Traçado que agregaria forças política da Bahia e do Piauí, e beneficiaria os dois estados, além de Pernambuco, a partir da perenização de Lagoa do Barro, em Araripina, e seguiria o curso normal da Bacia do Brígida, até retornar ao São Francisco.

A transposição do São Francisco está saindo do papel. Leva água do Velho Chico para outros estados do Nordeste. O Canal do Sertão, que também  levaria água do São Francisco para outros estados do Nordeste, atendendo Bahia, Piauí e Pernambuco,  formando um arco-íris e permitindo a volta da água para o próprio rio, e bem mais barato, ainda nem no papel começou a entrar.
O canal do sertão foi e ainda é bandeira de Jarbas Vasconcelos. Foi bandeira de Osvaldo Coelho, o bravo, mas este não resistiu ao tempo e partiu, deixando o sertão do Araripe órfão de sua brava defesa e profícua ação política.
Traçado defendido antes por Jarbas Vasconcelos, sem Piauí. Devemos mudá-lo e beneficiar mais a Bahia e o inserir o Piauí para agregar força política.

Uma vez construído, o Canal do Sertão começa a perenizar barragens a partir de Lagoa do Barro, em Araripina. A obra ganhará força para sair do papel se MUDAR o seu traçado imaginado inicialmente e passar a envolver de forma muito clara os estados da Bahia e Piauí, convocando seus políticos com atuação na região beneficiada. Basta ver o mapa do relevo da região, no qual rabiscamos um trajeto imaginário para as águas passarem. É preciso emenda de várias bancadas. É preciso a voz altiva.
Mapa do relevo na região do Lago de Sobradinho: Levar água do ponto baixo em azul para o mais alto em cor de  vinho. Daí, seguir para regiões baixas contornando as 'costelas' da Chapada do Araripe para perenizar Lagoa do Barro. Este traçado beneficia o Piauí.

Mapa do relevo mostrando a chegada em Araripina, via Nascente.  No lado esquerdo da foto, mais azul-esverdeado, está o Piauí. Os pontos em vinho são as ''costelas' da Chapada do Araripe. 


Saindo do Lago de Sobradinho, as águas seriam bombeadas para uma região mais alta, que no mapa aparece em cor vinho, e daí correria pelas regiões em cor azul ou esverdeado, contornando as partes altas da chapada do Araripe, para vir enfrentar barreiras na chagada de Nascente, em Araripina, e daí se dirigindo para a barragem de Lagoa do Barro. Deste manancial perenizado, seguiria o curso normal da Bacia do Rio Brígida, perenizando açudes e deixando fartura.
Mas está faltando quem defenda essa obra tão importante. As classes políticas deixaram as grandes empreiteiras definirem o que é projeto nacional - Ou projeto de corrupção nacional.


PERGUNTAS QUE NÃO CALAM
Pergunte ao TCU e aos homens da Lava-Jato quanto foi desviado da Transnordestina. Só com o dinheiro desviado seriam construídos muitos canais do Sertão. Pergunte então se a TRANSNORDESTINA, sem ferro sendo extraído, vai algum dia funcionar. Ficará claro que a obra podia vir depois do Canal do Sertão.
Pergunte se o dinheiro investido em energia eólica pagaria o Canal do Sertão dez vezes. Pergunte se uma única vez não seria mais urgente que erguer um dos parques eólicos.
Nossos bons políticos ficaram paralisados ante tanta corrupção e império das empreiteiras e grandes grupos, como Friboi e Pão de Açúcar. Mesmo sem deixar nenhuma obra que abasteceu os cofres dos corruptos por fazer, ainda assim poderíamos ter deixado de construir um Porto em Cuba para construir nosso canal do Sertão do Araripe. Falta projeto de Sertão. Falta visão. Falta sensibilidade. Ou, em caso extremo, a indústria da seca é muito mais rentável do que imaginamos ser.
Mas as perguntas acima ficarão sem resposta por muitos anos. Então cabe apenas perguntar porque nossos representantes não lutam pelo Canal do Sertão.


VEJA ABAIXO UM DOCUMENTÁRIO SOBRE A TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO



Da Agência Senado

Assim que as comportas da barragem cravada na divisa de Pernambuco com a Bahia se abriram, as águas represadas do Rio São Francisco caíram num imenso canal de concreto e rolaram com fúria rumo ao norte, para dar vida às terras mais ressequidas do sertão.

A cena se deu em março, e quem acionou o botão das comportas foi o presidente Michel Temer. Após uma década de obras, era inaugurado o primeiro canal, com 220 quilômetros de extensão, da faraônica transposição das águas do Rio São Francisco. O outro canal, com 270 quilômetros, está quase pronto e irrigará outras paragens do semiárido.

>> Leia o estudo de Gabriel Pereira de Oliveira sobre o rio no Império
Embora só agora se torne realidade, o sonho de fazer o sertão virar mar tem pelo menos dois séculos. O primeiro plano de transposição de que se tem notícia remonta à década de 1810, no fim da Colônia, mas a ideia só começaria a ser levada a sério anos mais tarde, no Império. Dom Pedro II esteve bem perto de executar o “encanamento” (a palavra usada na época) das águas do Rio São Francisco.
Documentos históricos sob a guarda do Arquivo do Senado e do Arquivo da Câmara mostram que vários projetos de lei que previam a transposição passaram pelas mãos dos senadores e deputados do Segundo Reinado.

“Basta fazer um canal. Não é difícil. Cavar e atirar a terra para os lados pouco custa. As mesmas águas que correm farão o resto”, disse o deputado França Leite (PB) no Plenário em 1846.

“Uma enxada dirigida por um homem pode levar água até o fim do mundo”, insistiu no argumento o deputado Venâncio de Rezende (PE) em 1852.

As secas cíclicas castigam o Norte (como se chamava a porção do país acima de Minas Gerais) desde sempre, dizimando plantações, matando rebanhos e levando sede, fome, doença e miséria à população. Mesmo assim, nenhum dos projetos do Parlamento imperial que previam o “encanamento” vingaria.
Da nascente à foz, o São Francisco mede 2.700 quilômetros — quase a mesma distância entre Porto Alegre e Maceió. É o maior rio localizado integralmente no Brasil. As águas brotam no alto da Serra da Canastra, em Minas Gerais, correm para o Nordeste, banham cinco estados (Minas, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe) e caem no Atlântico. Por percorrer uma faixa tão extensa do país, ganhou o apelido de Rio da Integração Nacional. No Império, era Rio “de” São Francisco. “O Rio de São Francisco é o nosso Nilo, o nosso Mississipi”, comparou o senador Fernandes da Cunha (BA) em 1871. “Quem lança os olhos para o nosso sistema hidrográfico vê os Rios Paraná e Paraguai circulando todo o Império ao sul, vê no norte o vasto oceano do Rio Amazonas e vê no centro o patriarca das águas interiores do Império, o caudaloso São Francisco, rolando plácida e majestosamente”.
 

Quando cruza o semiárido, o São Francisco enfrenta escassez de chuva, evaporação intensa e falta de afluentes permanentes. Embora seu volume baixe, o rio se mantém relativamente caudaloso, o que faz de suas margens um enclave verde em pleno sertão. A transposição busca espalhar outros oásis pelo semiárido adentro.

No século 19, o Senado e a Câmara analisaram tanto projetos de lei que criavam comissões de engenheiros para desenhar o trajeto dos canais de água quanto projetos que liberavam as verbas necessárias para tirá-los do papel. Os primeiros foram aprovados. Os segundos, não.

Cada proposta previa uma província do Norte como a receptora das águas — Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte ou Paraíba, a depender da origem do senador ou deputado autor da proposta.

Na batalha interprovincial pela cobiçada vazão do Rio São Francisco, os parlamentares mais aguerridos foram os cearenses. Eles sonhavam com um rio artificial que alimentasse o Riacho dos Porcos e os Rios Salgado e Jaguaribe. Até hoje, os três secam nos meses de estiagem. Uma vez concluído o “encanamento”, eles se tornariam perenes.

Em 1850, o deputado Araújo Lima (CE) aproveitou a discussão sobre um projeto que reajustaria o salário dos juízes e desviou o debate para a transposição:

— No exame da conveniência de elevar o ordenado da magistratura, perguntarei: acaso não existem no país necessidades que com maior força podem ser satisfeitas? O Ceará carece de melhoramentos materiais. É preciso que se empreguem os meios convenientes para fazer desaparecer as secas que o assolam. Entre esses meios, o que se aponta como o mais apropriado é um canal que comunique o São Francisco com o Salgado.

O deputado continuou:

— Na falência de melhoramentos materiais, o Ceará será despovoado, reduzido a um deserto. Dispensará, portanto, as vantagens de uma boa magistratura, porque os desertos não precisam de Justiça. Despesas com a abertura do canal, portanto, serão infinitamente mais úteis do que com a elevação dos vencimentos da magistratura.

Orçamento e compasso

Em 1864, o deputado Liberato Cardoso (CE) recorreu a uma estratégia mais criativa. Ele narrou um cruzeiro iniciado em Minas:

— Nosso barquinho foi contemplar as maravilhas do Mississipi brasileiro. Ao chegar à província de Pernambuco, em vez de continuar pelo São Francisco, virei de proa, sulcando as águas do canal que se abriu do Cabrobó [PE] ao Riacho dos Porcos. Saudando a Serra do Araripe e a rica cidade do Crato [CE], entrei pelo Rio Salgado. Deixando à minha direita a bela e risonha cidade do Icó [CE], tomei o Rio Jaguaribe.

Com tantos detalhes, os colegas que o escutavam sentiram como se estivessem a bordo do navio. O deputado prosseguiu:

— Saudando a cidade de Russas [CE], reclinada em seus verdes tabuleiros de relva, eu contemplava em poucas horas o teto de meu berço na rica e industriosa cidade do Aracati [CE], onde da borda do navio dei um aperto de mão nos meus amigos e parentes, que me cumprimentavam do cais. Lançando um derradeiro olhar de saudades para a terra do meu berço, eu volvia os olhos para o Atlântico. Em poucas horas, eu via alvejar as torres da catedral de Fortaleza por entre os coqueirais da praia.

Terminada a narrativa, Liberato Cardoso trouxe os deputados de volta à realidade. Aquele lindo cruzeiro jamais fora feito. Motivo: faltava o canal que unisse o São Francisco aos rios cearenses.

— Esse sonho, senhores, pode ser realidade no futuro — continuou ele. — O que convém? Que não viajemos com a imaginação, e sim com o orçamento em uma mão e o compasso na outra.

Em outras palavras, a transposição exigia dinheiro e conhecimentos de engenharia. Na avaliação dos defensores da obra, o Império dispunha tanto do “orçamento” quanto do “compasso”. O deputado paraibano França Leite afirmou em 1846 que o salário dos operários não pesaria nos cofres públicos:

— Aquela gente do Norte acha-se sem trabalho e não duvidaria ganhar a subsistência por meio do seu trabalho. Um homem trabalha um dia inteiro de enxada por 100 réis e de machado por 160 réis. Com salários tão baixos, o trabalho se pode fazer sem grande despesa.

Falas do trono

O mundo já dominava a técnica das grandes canalizações, lembrou o deputado Alencar Araripe (CE). Num pronunciamento em 1877, ele citou o Canal de Suez, no Egito, recém-aberto.

— Por que hesitaremos em empreender obras que tornem o Ceará um novo Egito, dando-lhe um Nilo, canais e lagos? Se a natureza recusou águas abundantes ao Ceará, o homem lhas dê — filosofou Araripe.

Dom Pedro II tocou com frequência no tema da estiagem nas falas do trono, os pronunciamentos que ele proferia duas vezes por ano no Senado. Em 1878, no meio de uma das secas mais violentas da história, discursou:

— O flagelo da seca devasta há quase dois anos uma parte considerável do Norte do Império, afligindo profundamente o meu coração. Para minorar as consequências de tamanha calamidade, tem o governo empregado os meios a seu alcance.

Os “socorros públicos” consistiam basicamente de cereais para a população carente e empréstimos para os fazendeiros.


As falas do trono nunca trataram da transposição. O tema, porém, constava da pauta do governo. Em 1852, dom Pedro II contratou o engenheiro alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld para elaborar dois projetos: um que tornasse o São Francisco integralmente navegável e outro que desviasse água do rio para outros pontos do semiárido. Os croquis de Halfeld seriam engavetados.


SIGA NO www.meuararipe.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário