segunda-feira, 19 de junho de 2017

I Fórum de Desenvolvimento do Pólo Gesseiro foi proveitoso, apesar da ausência de ministro

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"Hoje os governos procuram o Pólo; Antes tínhamos que ir atrás", refletiu a presidente do SINDUSGESSO, Maria da Conceição Campos Costa.

Apesar da justificada ausência do Ministro de Minas e Energias, o pernambucano Fernando Bezerra Filho, foi altamente proveitoso o I Fórum de Desenvolvimento do Pólo Gesseiro do Araripe, ocorrido no Centro Tecnológico de Araripina. O evento se dividiu em duas etapas, ou três, contando com a que não aconteceu.  A etapa não acontecida foi justamente a parte política, que previa  a fala do ministro petrolinense, frustrada pelas chuvas que caíram em Araripina no período da manhã, segundo relato do mesmo via vídeo - "O avião sobrevoou a cidade durante 1 hora e 20 minutos mas não conseguiu pousar", informou Bezerra Filho em curto vídeo que interrompeu o evento na parte da tarde. Talvez esperando e ainda contando com a possibilidade de presença do ministro, não fizeram a abertura do evento o prefeito Raimundo Pimentel, o ministro Armando Monteiro Neto e a deputada Socorro Pimentel, presentes logo nas primeiras horas da manhã, para solenidade de abertura - que ficou para depois. Eles permaneceram até a hora em que o público foi liberado para almoço.
Em sua fala, a presidente do Sindusgesso, entidade representativa dos empresários do setor,  apresentou os números conflitantes para jogar luz sobre o momento atual de dificuldades que atravessa o pólo. Ceiça Costa, com números precisos, informou que 50% das empresas estão inativas e muitas outras estão fechando. Aquela exuberância dos panfletos não se sustentam mais: 683 empresas contribuintes, 47 mineradoras, 141 calcinadoras e 445 fábricas de premoldados são dados anteriores à crise. Um enxugamento, para o mal ou par o bem, está ocorrendo. De forma cortante, a presidente do setor abasteceu pessoas alheias ao setor com algo que parece fantasia mas é real: O frete é mais caro que o gesso, o que leva todos a questionar o motivo de tantas falências, se o produto é tão barato e se o pólo do Araripe responde por mais de 90% da produção nacional - portanto, sem concorrência. A palestra de um doutor da Universidade Federal provando que até a lavra é inadequada, mais cara e mais agressiva ao meio ambiente oferece muitas explicações para o quadro. Faltou o governo chegar com o básico: informação e financiamento do que é correto e rentável para a primeira etapa da produção, que é a lavra.
Ainda segundo a presidente do Sindusgesso, o governo de Pernambuco acusou o golpe recentemente, informando dois dados que lhe interessa: Aumentou o imposto de importação do produto via Rio de Janeiro e diminuiu a arrecadação e a produção declarada do Araripe. O governo só arrecadou 31,7 milhões de Reais em período não compreendido pelo redator e a produção mensal caiu de 250 mil de toneladas para apenas 90 mil toneladas mês.

INFORMAÇÕES RELEVANTES
Ainda na parte da manhã, vários palestrantes apresentaram o que há de mais valioso para o setor gesseiro: informação privilegiada. Entre elas, uma em especial, que trata da "Nova Sistemática de lavra para a gipsita do Araripe". Citando uma experiência exitosa local, o professor e doutor pela UFPE, Júlio César de Sousa, demonstrou, inclusive, que o pólo faz a lavra com sistemática errada, provando com números que o método correto é o 'Terrace Mining'.
Foi elevado o nível de exposição das informações contidas no chamamento ao evento. Técnicos do Ministério de Minas e Energias, CPRM, AD DIPER,  e o homem do dinheiro, Superintendente do Banco do Nordeste em Pernambuco, apresentaram o que de relevante havia para o setor na atual conjuntura.
Até o momento de encerramento desta postagem, nenhum relato acompanhado de imagens havia chegado ao Meu Araripe. Estamos no aguardo para enriquecer o conteúdo da abordagem.
Uma pesquisa mostrando que as áreas de lavra podem ser expandidas animam o setor, apesar de as atuais minas estarem muitas paralisadas. Outros minerais encontrados na região podem somar, trazendo alento em momentos cruciais como o atualmente vivido.

A 'CORRIDA DO GESSO' - RESERVAS DESCOBERTAS EM ARARIPINA

A foto acima reflete a presença de gesso em partes do município de Araripina, evidenciando algumas áreas que podem ser exploradas. As manchas em verde escuro indicam a presença do minério em camadas que vão a até 30 metros de espessura. Quem é do ramo sabe localizar. O 'mapa' inclui parte da sede do município e quase todo o distrito de Morais, onde o minério é abundante. Trata-se do estudo mais recente.

GESSO EM IPUBI
As manchas em verde-escuro representam as jazidas de gesso encontradas nos levantamentos mais recentes.

ÁGUA
Um dos palestrantes, o senhor Simeones Neri Pereira, CPRM,  mostrou ESTUDOS TÉCNICOS PROVANDO que a Chapada do Araripe, em profundidade de  750 metros, oferece água abundante na ordem de 150 m3 por hora, se buscada em cima da chapada, e em menor profundidade, se nas partes baixas. O custo de um poço pode chegar a R$ 4 milhões.
INFORMAÇÃO NOSSA:  Os governos, seja federal ou estadual, em todas as épocas, vêm deixando o Araripe sofrer com a falta d´água, ao que tudo indica, por puro prazer ou por compromissos impublicáveis com a indústria da seca. Basta ver quanto vem sendo despejado todos os meses para pagar 'operações-pipa', um paliativo caro e que em nada se compara às adutoras que poderiam ser construídas a partir de poços profundos.
E o mais revoltante: Os poços que provam a nossa viabilidade, existentes na chapara, foram perfurados porque a Petrobras queria encontrar petróleo. Não encontrando o minério preto, sequer se interessou pela água que encontrou. É sempre bom relembrar que os poços só foram instalados e entraram em operação no governo Jarbas Vasconcelos, que construiu caixas elevadas e adquiriu bombas americanas.
É para corar de vergonha. Nada mais aconteceu depois disso, apesar da viabilidade comprovada. Segundo Simeones, a vazão do nosso aquífero corresponde a 1/3 da vazão da tão festejada transposição do Rio São Francisco.

MAIS INFORMAÇÕES
O Blog solicitou do cerimonial e ainda aguarda registros fotográficos do evento e informações relevantes que possam melhorar o conteúdo acima. Postaremos tão logo nos seja enviado.

CONHEÇA O CENTRO TECNOLÓGICO DE ARARIPINA, ONDE OCORREU O EVENTO.

Esta é uma obra da moderna engenharia, construída em Araripina sob o nome de "Centro Tecnológico do Araripe", com a finalidade de apoiar as cadeias produtivas locais, com ênfase para o setor gesseiro. A construção se deu durante o governo de Jarbas Vasconcelos, tendo sido inaugurada pelo vice-governador Mendonça Filho, então em exercício, no ano de 2006.

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