terça-feira, 27 de junho de 2017

Guerra dos velhinhos maquiavélicos trava o Brasil


Ontem o procurador geral  Rodrigo Janot jogou querosene e riscou o fósforo no Brasil. Hoje foi a vez do presidente Temer jogar gasolina e acender tochas, ao insinuar que um assessor de Janot largou o melhor emprego do País para ganhar milhões da JBS através da delação.

Em pronunciamento nesta tarde no Palácio do Planalto, cercado por dezenas de apoiadores, entre ministros e parlamentares, o presidente Michel Temer disse que é vítima de ficção, como define a denúncia do Procurador Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, que o acusa de corrupção passiva sustentando que seria destinado a ele o dinheiro carregado em uma mala pelo ex-assessor Rodrigo Rocha Loures.
Do mesmo modo, segundo Temer, ele poderia fazer uma ilação sobre a contratação do ex-procurador Marcelo Miller, ex-braço direito e “homem da mais estrita confiança” de Janot, para atuar na defesa de Joesley Batista e sua empresa. “Poderia fazer a ilação de que os milhões pagos ao ex-procurador não seriam destinados apenas a ele”, alfinetou o presidente da República, ressalvando, no entanto, que não faria isso por não ser leviano.
 Temer se referiu a Joesley Batista como “grampeador” e como “bandido”, assim como classificou os demais delatores do grupo J&F/JBS de “capangas”. Ao final, Temer foi aplaudido e saudado com exclamações de “bravo!”.

NÃO SAI  NEM DEVE CAIR. A MENOS QUE RENUNCIE POR VONTADE PRÓPRIA, DEPOIS DA TORMENTA E DE INDICAR O SUCESSOR DE RODIGO JANOT.
Montado nos números da economia, que apresenta gráficos favoráveis, inclusive a menor inflação em duas décadas, Michel Temer bate o pé e diz que não sai, repetindo Dilma Roussef, com a diferença básica de que se articula bem e tem amigos de sobra no Congresso.  Provavelmente,  não cairá. A menos que assim queira, longe das pressões atuais, e depois de indicar alguém de sua confiança para substituir Rodrigo Janot, a quem deverá perseguir com artilharia jurídica de grosso calibre pelo resto da vida. 
Ninguém sabe o que é pior no momento: um presidente cambaleante mas aparentemente sereno ou um substituto eleito pelo congresso, frouxo e tentado a ceder aos caprichos daqueles que o elegeram.
Certamente não há nada pior para o Brasil do que um presidente cambaleante trocando tiros todo dia com um procurador geral da República agora obrigado a provar que não induziu nem se beneficiou dos milhões recebidos pelo seu homem de confiança no caso da mega-delação do grupo JBS. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário