sábado, 6 de abril de 2013

A pesquisa de 100 dias, o que está, os que passaram e aquele que nem chegou a concluir.


Todo gestor moderno tem por hábito passar o termômetro no 'sovaco' do povo para colher dados qualitativos da temperatura social apresentada nos 100 primeiros dias de gestão. Na verdade, o que o povo pensa nos primeiros dias só serve de indicativo, quando serve, para se imaginar algo que esteja consolidado nos últimos cem dias, momento em que o eleitor volta às ruas para decidir se mantém ou troca de gestor.

TERRA DA FARINHA
Aqui em Araripina - que já foi chamada de capital da farinha e naquela época era 'confundida' com 'princesinha' - dois casos são emblemáticos para se refletir sobre pesquisas ou termômetro das ruas nos primeiros cem dias.

VALMIR LACERDA (PDS, 1983-1988), iniciou sua gestão dando choques os mais variados. O primeiro e mais sério foi de ética. É claro que aquilo causou estranheza e fez surgir vários grupos de pressão, ou reação. Dr. Valmir também deu um então desconhecido choque de gestão. Descentralizou através de quatro secretários (sendo um deles o mestre das obras, Senhor Raimundo Andrade), e os outros três importantes: saúde, educação e administração e finanças. Os cem primeiros dias foram usados para colocar a casa em ordem e azeitar a máquina para largar em fenomenal disparada. A população não entendeu.
HÁBITO: Às cinco da manhã o prefeito estava nas ruas e às sete surpreendia com a sua presença nos diversos canteiros de obra, pegando de 'calça curta' quem não chegava na hora. Aquilo gerou revolta e o volume de obras gerou na sociedade pouco habituada a ver tudo aquilo a 'ilusão' de que nada seria concluído. Mas o choque de gestão de Valmir Lacerda envolvia também usar a espiral inflacionária para gerar recursos extra para a prefeitura, o que para outros prefeitos representava o pé de meia. Um 'segredo' do então prefeito era pagar em dia. Ele aplicava corretamente e legalmente as parcelas dos dias 10 e 20 e transformando os rendimentos em obras. Criterioso e perfeccionista, Valmir Lacerda chegou até mesmo a esticar uma linha para conferir se o meio fio do calçamento que fazia em rua de importante bairro que pisava na lama era realmente uma reta. Viu que havia um 'bucho' para dentro e enfiou o pé, obrigando o construtor a refazer sob pena de não receber aquela medição. Isso também causava espanto e as partes afetadas começaram a espalhar o boato de que Valmir era 'doido'. Ele gostou do apelido e aumentou a dose, passando a ser ainda mais respeitado. Até obrigar um caminhão que descarregava ferro no pé da obra a dar uma passadinha na balança Valmir Lacerda fez. Depois que encontrou diferença entre a medição e o que estava na nota fiscal, blindou-se, impedindo malandragens futuras de fornecedores 'desatentos'. Portanto, nos cem primeiros dias, Valmir Lacerda fez projetos do que havia planejado desde adolescente e também fez estoque, além de ajustes drásticos na máquina. Colecionou desafetos, inclusive entre amigos, a quem negava cargos de confiança. É certo que uma pesquisa de cem dias lhe seria amplamente desfavorável. Contudo, concluiu o mandato sendo quase unanimidade e até hoje é considerado o melhor prefeito do município. Valmir tinha outros segredos. Entre eles, o de ir à casa de amigos de muitos anos almoçar e ouvir as verdades que os 'bajuladores' costumavam esconder. Também reunia-se com os vereadores aliados para ouvir o que eles tinham a dizer - confrontando sempre as informações que vinham de políticos com as que chegavam diretamente da fonte. Mas sobretudo ouvia os secretários com quem despachava diariamente e aos quais delegava tarefas.
À época, não havia reeleição. Valmir Lacerda lançou Dr. Mimi à sua sucessão no exato dia em que tomou posse e sustentou a palavra, levando seu candidato para todas as inaugurações, que eram semanais. Dr. Mimi saiu com cerca de 80% dos votos válidos e na câmara Valmir Lacerda só deixou folgar espaço para um vereador de oposição, que por ironia do destino veio a ser prefeito da cidade muitos anos depois. O nome dele é Lula Sampaio. Todos aqueles que fizeram oposição à gestão de Valmir Lacerda perderam o mandato - o povo não conseguiu entender. Nos seus comícios, Valmir alardeava, simplificando tudo: "Se matar boi fui eu quem fez o matadouro; se for comprar carne fui eu quem fez o açougue; se comprar fruta fui eu quem fez o hortigranjeiro; se for julgado fui eu quem fez o fórum; se roubar e for preso fui em quem fez a cadeia; se o filho for para a faculdade eu também construí o prédio; se namorar no escuro fui eu quem calcei a rua e se namorar na praça também...". E prosseguia, falando de calçamento, de escolas, de banda de música, de museu e até onde a garganta aguentasse. Para melhor entender, basta dizer que o slogan de Valmir Lacerda era simples e direto: "TRABALHO E AÇÃO É A SOLUÇÃO". Era mesmo difícil o eleitor entender o discurso de quem criticava a operosidade. Lula Sampaio só escapou porque tinha a Feira Nova como reduto, onde morava, e porque o ex-prefeito Pedro Batista lhe abriu a casa de saúde para 'fabricar' votos na cidade.


LULA SAMPAIO (PTB, 2009 - 2011) teve o mandato interrompido por determinação judicial. Sem muitas palavras, porque o caso é recente, basta dizer que o petebista esqueceu de fazer projetos e de planejar o mínimo nos cem primeiros dias de gestão, que foram abundantes em recurso. Acelerou a máquina, inclusive com pomposo carnaval e muito trator, espalhando e compactando piçarra pelas ruas de moradores que esperavam calçamento mas acreditavam que a piçarra era o prenúncio da obra sonhada. A pesquisa dos cem primeiros dias de Lula apontavam para a chegada de um 'messias'. Lula Sampaio, mesmo tendo sido o candidato a vereador que escapou da varredura eleitoral feita em Araripina no fim da gestão Valmir Lacerda em 1988, portanto vinte anos antes da sua posse, que acompanhou aquela gestão sendo um solitário opositor, preferiu não ser uma cópia do que deu certo e optou pela lógica inversa. Na sua última entrevista, celebrizou uma frase: "Eu fiz a máquina girar ao contrário". O fim todos conhecem.


ALEXANDRE ARRAES (PSB, 2013), começa de uma forma diferente daquelas adotadas pelos últimos gestores. Não se pode dizer que é igual a Bringel, nem a Valdeir, nem a Valdemir Batista, muito menos a Lula Sampaio. Como faz muito tempo e as situações não se assemelham, chega a ser hipocrisia querer estabelecer comparativos com Valmir Lacerda. Dia 10 de Abril Alexandre Arraes completará 100 dias de gestão. É possível que em alguma coisa se assemelhe aos que pela prefeitura já passaram recentemente. De Valmir Lacerda pode está adotando a medida de estocar recursos para dar a arrancada justamente depois dos 100 dias. Também pode está fazendo e refazendo projetos. É certo que ainda não descentralizou, dando carta branca e cobrando de perto a três ou quatro secretários em que mais confie. Se os números do passado ainda existissem em forma de pesquisa, certamente daria para constatar que Alexandre não tem hoje a popularidade de Lula nos cem primeiro dias. Resta saber como está a curva do seu gráfico: Se aponta pra cima ou aponta para baixo. E, o mais importante: Qual foi a sua atitude ao pincelar aquele gráfico de popularidade imaginária que povoa a sua mente. Esta é uma ação mais que solitária. Alexandre sonha alto e deve está rindo do que ouviu ontem à noite.
Ontem Alexandre Arraes, mais uma vez,  esteve reunido com vereadores de sua base aliada. Certamente ouviu e disse. Provavelmente ficou surpreso com certas coisas que ouviu. A surpresa decorre da distância que separa o que Alexandre Arraes está idealizando e maquinando daquilo que os vereadores conseguem enxergar e ouvir das bases, que por hora cobram mais emprego do que obras.
Uma coisa é certa: Quem votou em Alexandre torce para que o seu estoque de projetos e a sua vontade resultem em muitas ações. Araripina está 'louca' para gradecer e para ter motivos para chamar outro prefeito operoso de 'doido'. Alexandre Arraes começaria a parecer com Valmir Lacerda se fosse visto com uma pá na mão ajudando a resolver algum problema de esgoto, ou mesmo partindo para colocar cavalete de sinalização onde a FLAMAC passa e deixa o buraco. Valmir Lacerda derrubou com o solado de seu sapato parte de um meio fio que não estava em reta e por cima 'subtraia' da metragem oficial por fazer 'bucho' para dentro da rua. Alexandre Arraes podeira usar sua autoridade para obrigar os donos da OTL e da FLAMAC a tapar os buracos que fazem de forma desmedida e irresponsável. De preferência, com a sola do sapato. O prefeito de Araripina, a capital do gesso, também poderia deixar de fazer tratativas com gerentes que nada resolvem e sempre fazem ouvido de mercador. Chamar o dono de cada empresa e colocá-los no devido lugar seria um belo e esperançoso gesto para simbolizar os 100 dias. No mais, resta reforçar a tese de que pesquisa de 100 dias não reflete quase nada, embora informe o grau de 'febre' do eleitor no momento. Ou temperatura normal.
O melhor final para este novo ciclo, que se encerrará em dezembro de 2016,  pode ser resumido numa frase: "Alexandre não deixou Araripina sentir saudade de ninguém que passou".  Amém! Assim seja!

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