quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Meio sorriso na Fraça


Segundo periódico, visita da presidente à Paris foi ofuscada pelas novas denúncias de Valério
O Globo
A imagem da presidente Dilma Rousseff - com o semblante austero e sombreado, sob um fundo escuro, mas exibindo um meio sorriso -, ocupa o principal espaço da capa da edição desta quinta-feira do reputado jornal francês “Le Monde”, ao lado de aspas em capitulares: “Eu não tolero a corrupção”.
Logo no início da reportagem, o jornal diz que a visita de Dilma a Paris, onde se reuniu com empresários, representantes do governo francês e o presidente François Hollande, foi ofuscada pelas novas denúncias do operador do mensalão, Marcos Valério.


Em depoimento à Procuradoria Geral da República, o publicitário afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu dinheiro do esquema do mensalão para pagamento de “despesas pessoais” e deu “ok” para os empréstimos que viabilizaram a compra de apoio político no Congresso.
Na entrevista exclusiva ao vespertino francês (com tiragem de cerca de 300 mil exemplares) concedida na quarta-feira, pouco antes de embarcar para a Rússia, Dilma, questionada sobre os problemas de corrupção no país, defendeu o sistema brasileiro, criticou a “caça às bruxas”, elogiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - envolvido em novas denúncias no esquema do Mensalão -, e disse que não é o momento ainda de pensar em uma possível reeleição em 2014.
“Eu não tolero a corrupção, e o meu governo também não. Se há suspeitas fundamentadas, a pessoa deve partir. Certamente, não se deve confundir essas investigações e a caça às bruxas próprias aos regime autoritários ou de exceção. Para ser candidato em uma eleição, os brasileiros devem se sujeitar à Lei da Ficha Limpa, não podem ter sido condenados. O Ministério Público é independente, a Polícia Federal investiga, prende e condena. E quem começou essa nova etapa de governança foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, disse a presidente ao diário francês.
Dilma assinalou que a corrupção atinge todos os países, e que não são os indivíduos que devem ser virtuosos, mas as instituições: “A sociedade deve ter acesso a todos os dados governamentais. Todos aqueles que utilizam recursos públicos devem prestar contas. Senão, a corrupção domina. É preciso ser voluntarista. Graças as novas tecnologias, o Brasil criou um “Portal da Transparência”, que registra todas as despesas públicas no próprio dia”, acrescentou.
Questionada sobre uma eventual candidatura à reeleição em 2014, respondeu:
“Tenho dois anos de governo diante de mim. Não é a hora de pensar nisso. Seria colocar a carroça na frente dos bois”.

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