quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Em longo discurso de presidenciável e trazendo soluções, Eduardo Campos diz em Araripina que enfrentou a maior enchente que destruiu cidades e a maior seca que dizimou rebanhos.

AÇÕES DE COMBATE AOS EFEITOS DA SECA E CONVIVÊNCIA COM ELA, DISCURSO DE QUEM MIRA O PLANALTO CENTRAL

O neto de Miguel Arraes acaba de discursar no Centro Tecnológico de Araripina. Nas ruas próximas ao local, algumas carradas de cana trazidas da Zona da Mata promoviam a alegria de sortudos criadores que ainda têm rebanho bovino vivo e muita história  para contar mais adiante - sobre a assustadora seca.
Eduardo Campos começou sua fala resgatando palavras do avô Miguel, por aqui conhecido como "Pai Arraes", nascido na vizinha e pequenina Araripe (CE). Campos, o presidenciável, misturou-se à paisagem relembrando que o seu avô dizia ter aprendido a fazer política não apenas lendo livros, mas sobretudo vendo a seca de perto e vendendo bolacha para dezenas de vizinhos famintos que sofriam com as longas estiagens dos idos anos trinta do século passado. Arraes não entendia tanto sofrimento e discordava das prátias governamentais que deixavam o povo desassistido. O sofrimento fez nascer o político mais carismático de Pernambuco. Eduardo tira lição do que dizia o avô sentindo na 'pele', como governador.
Dito isto, passou a abordar a problemática local, dando a entender que de fato se debruçou sobre as informações técnicas, mas também examinou as versões políticas e dos movimentos sociais que lidam com o secular problema, formando opinião e propostas. A tarefa enfadonha de apresentar nomes de programas e números de planilhas coube ao secretário de Agricultura Ranilson Ramos, que o antecedeu. Eduardo também falou de números e valores, mas fez discurso para militante e para agricultor também.
Fotografia


Fila e aperto, como se fosse artista famoso. Sinais de fanatismo. 

CANA E MILHO PARA O REBANHO
Na falta de milho suficiente, travado pela burocracia do PT e também pelo elevado custo, Eduardo veio com cana, que é mais palatável e também mais prático e barato. Contudo, anunciou a abertura de um armazém destinado à venda do cereal por preço módico, inferior a R$ 20,00 a saca de 60 kg. Além deste armazém  aberto em Araripina, outros doze armazéns foram abertos emergencialmente no Estado.
Ao todo, serão distribuídas 120 mil toneladas de cana e 10 mil toneladas de milho.

LEITE DE PERNAMBUCO
O governo anunciou que passará a pagar R$ 1,00 por litro, contra os atuais 0,76 pagos aos produtores. A medida visa impedir que os grandes laticínios nacionais instalados em estados vizinhos quebrem uma cadeia produtiva local que mal acabou de se reorganizar e já enfrenta severa seca.

LATICÍNIO LOCAL
Também foi anunciado que um pequeno laticínio de Araripina será visitado e poderá passar a integrar a cadeia de laticínios atendidos pelo programa de compra de leite. Sem que o nome tenha sido anunciado, é impossível encontrar nome diferente do que pertence ao advogado e pecuarista Alexandre.

PALMA FORRAGEIRA
Visando repovoar o estado com palma forrageira, quase toda ela dizimada pela cochinilha do carmim, o IPA distribuirá raquetes de palma resistente à praga, estimando o plantio de mil hectares.

POÇOS, BARRAGENS E CISTERNAS
A meta de Eduardo Campos é que cada casa da zona  rural  de Pernambuco seja atendida com uma cisterna e que cada sítio passe a contar com cisterna calçadão, para que na época de chuva seja possível praticar a irrigação, dentro de uma lógica de agricultura familiar moderna e sustentável.
Ao todo, 3,6 mil cisternas e 1,2 mil poços serão construídos, reformados e/ou equipados. Segundo palavras do governador, são obras de continuidade de uma ação planejada e não apenas resposta imediatista aos estragos da seca.

INTERLIGAÇÃO DA TRANSPOSIÇÃO COM A ADUTORA

No IPA, conhecendo de perto a moderna estação meteorológica que antecipa as secas e cheias.
Afirmando que em breve o volume de água tratada será aumentado em 70%, Eduardo Campos acrescentou que está com todo estudo pronto para interligar o Ramal Norte da Transposição às barragens de Chapéu e Entremontes, ampliando a oferta de água com os olhos voltados para os próximos 50 anos.
O governador também abordou tema indigesto, ao informar que juízes, promotores, delegados e policiais estão cruzando o Sertão ao longo da Adutora do Oeste e que até plantação de maconha com água tratada já foi encontrada. Também 'escancarou' que gente engravatada fura os canos da adutora para roubar água visando encher piscinas que usam para se divertir uma vez por mês, enquanto a maioria sofre. "E tem muita coisa errada ao longo da adutora', concluiu, em tom de advertência: "Quem tiver errado que se livre do flagrante, pois a coisa é cabeluda e já tem gente sendo presa", completou, para delírio da plateia que mais sofre com falta d'água. Ouviu mais aplausos.


ENERGIA PARA O PÓLO GESSEIRO  - SEM USAR A EXPRESSÃO REFLORESTAMENTO
Ao abordar a temática energia  para o Pólo Gesseiro, que se opõe a sustentabilidade ambiental, Eduardo foi duro e assustador ao afirmar que acabara de saber na estação do IPA que a temperatura máxima da região aumentou 4 graus em quatro décadas, associando o aquecimento a problemas globais sem isentar o pólo gesseiro, que desmatou sem piedade. Mesmo assim, o governador não utilizou a expressão 'parque florestal', muito menos a palavra eucalipto, dando a entender que o assunto não está em pauta, tendo sido substituído por temas mais modernos, como energia eólica e energia solar, estes sim os 'parques'  dos sonhos do presidenciável, citados em seu discurso.

DISCURSO NACIONALIZADO E UM CONVIDADO EMBLEMÁTICO
A 'tara' com que Eduardo Campos pegou o microfone e dele fez uso por longos minutos (não contados); a abordagem sempre nacional e nunca de 'meu Pernambuco'; as mensagens cifradas transmitidas aos 'militantes'; as expressões relacionadas ao 'Brasil do futuro'; o cuidado para não deixar nada de fora e nem brecha para ser atacado no quesito enfrentamento à seca e ousadia são ELEMENTOS SUFICIENTES para deduzir que Eduardo Campos é sim candidato a presidente.
Para os desatentos ou pouco sabedores das 'entranhas' da eleição para governador (2006) que Eduardo Campos venceu tendo partido com modestos 4% nas pesquisas, cruzando isto com a sua forma de saudar o 'amigo' Valmir Lacerda, ele entre os convidados para compor a mesa de autoridades (sem mais ser autoridade), servem para espanar qualquer resquício de dúvida sobre os planos e ambições presidenciais do neto de Arraes.  O ex-prefeito de Araripina foi o primeiro político, junto com a esposa Dionéa Lacerda, a montar palanque para Eduardo Campos no Araripe,  juntamente com Alexandre Arraes e seu irmão Ricardo. À época, o prefeito Valdeir Batista e o candidato a deputado Bringel apoiavam Mendonça Filho (DEM), e Lula Sampaio apoiava Humberto Costa (PT). A decisão de Valmir Lacerda estimulou o surgimento de outros palanques na região e fora dela, e Eduardo Campos fez sua campanha crescer, saindo dos 4% iniciais para chegar ao segundo turno, derrotando Humberto Costa. No segundo turno foi fácil 'atropelar' Mendonça Filho.

Aliados: Com o inesquecível prefeito de Trindade, Chico Leite, e o atual, Dr. Éverton.
Pelo que deixou transparecer, Eduardo Campos vai buscar Brasil à fora apoios simbólicos para romper a marca dos 10% antes mesmo de iniciar sua campanha,que oficialmente começa em julho de 2014.  Algo diferente disso será surpresa. A forma como todos os prefeitos e vereadores da região o receberam e aplaudiram é sinal de que, na sua terra, a largada será forte.    


Empurrões por imagens, acenos e declarações



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