terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ler e entender sem resmungar


Mais fiscalização e ‘portas de saída’ (Editorial)

O Globo
A rede de programas sociais, por onde hoje transitam bilhões a cada ano, teve as bases lançadas na Era FH, mas foi bastante ampliada a partir do primeiro governo Lula. Cumpre papel importante na atenuação da pobreza, mas padece de duas sérias dificuldades: pelo tamanho que alcançou, e provavelmente por interesses políticos paroquiais, não é fiscalizada como deveria; e ainda precisa estar atrelada a um sistema eficiente de qualificação de mão de obra, as chamadas “portas de saída”, para que o beneficiário possa se livrar da tutela estatal e melhorar de padrão de vida como força de trabalho ativa.
Reportagens publicadas pelo GLOBO a partir de domingo, feitas em cidades do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste, regiões mais dependentes desta rede assistencial, comprovam a existência de desvios e a situação de penúria e falta de perspectiva de famílias em grotões do país.
Não que inexistam auditorias e investigações sobre fraudes. Mas o volume de recursos destinados a estes programas já é tão grande que os casos de desvios detectados levam a se supor, sem grande margem de erro, que as fraudes são maiores que as projetadas pelos organismos oficiais.
No Bolsa Família, o Ministério de Desenvolvimento Social calcula em menos de 0,5% das 13,46 milhões de famílias atendidas os casos de desvios. Pode ser, mas este é um número que, para ser confiável, deveria passar por uma auditoria independente.
E como este programa já chega a mobilizar R$ 20 bilhões anuais, mesmo que haja mazelas em número proporcionalmente pequeno, as cifras envolvidas não serão pequenas. 

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