segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Araripina: "Governo Técnico" não é moleza.

O prefeito eleito Alexandre Arraes anunciou que pretende montar uma equipe técnica para governar. Este é o sonho de 'verão' de todo administrador. Eduardo Campos teve coragem. Mas antes de ter coragem se cercou de cuidados: dinheiro em caixa, apoio político interno e externo e herança boa (a de Jarbas), que lhe entregou dinheiro em caixa, projetos prontos,  projetos em andamento e projetos elaborados, além de uma equipe de efetivos devidamente preparada e razoavelmente remunerada.

O CENÁRIO MUNICIPAL
É preciso fazer censo municipal avulso para se conhecer com razoável segurança a oferta de técnicos do município, ou no município. Feito isto, o futuro ou qualquer prefeito passa esta lista pelo filtro político. Descoberta a 'identidade' ou cor política deste técnico, o prefeito 'solta ao vento' para ver se escapa do 'tiroteio' ou fogo amigo.
Depois de todo esse processo de 'desmotivação' dos poucos que se prepararam para desempenhar funções técnicas e ao mesmo tempo suportar a 'guerrilha' política, chega o momento do convite.
Convidar técnico é diferente de convidar político. Político convidado aceita o cargo certo de que o técnico vai aparecer para  acelerar as partículas e resolver os entraves, sobretudo limpar 'defeitos técnicos' que causam problemas administrativos no TCE e demandas jurídicas a perder de vista.
O técnico pensa mais. O técnico pensa em remuneração real e não em retorno de outra natureza.
Alexandre Arraes sabe disso.

OS PESSIMISTAS ALARDEIAM
Há quem diga que o filtro político e a  'guerrilha' do 'fogo' amigo deixa Alexandre Arraes sem opção para montar governo técnico. Há quem exagere mais: 'Lula metalúrgico conta nos dedos da mão que o aposentou  os técnicos disponíveis na cidade dispostos a ser secretário ganhando o salário que a prefeitura paga".
O tamanho da lista de técnicos capacitados eu não discuto. Só dou uma informação: O salário que a prefeitura paga aos engenheiros efetivos (civis e agrônomos) é R$ 1.000,00. Há seis anos não concede sequer 1 centavo de reajuste. Vez por outra, faz a opção de contratar empresas (que desconhecem a nossa realidade) por pequenas fortunas. Estas empresas, muitas vezes, contratam gente da cidade para realizar tarefas pagando cinco vez mais que a prefeitura.  Percebe-se por aí que há uma excrecência em curso.

PERGUNTAR NÃO OFENDE
Alexandre vai governar ou vai dar ouvido a politiqueiros de plantão?
Parece que Alexandre já fez suas escolhas principais. Resta saber se tem o que sobrou a Eduardo Campos quando este assumiu o governo do Estado: Gente capaz, dinheiro para pagar bem, finanças equilibradas e força política auxiliada por coragem para romper o ciclo do marasmo.

CONVENHAMOS, não basta rebatizar as secretarias, ou enxugar pastas, dando a estas a mesma nomenclatura das pastas estaduais. É preciso saber se o município dispõe de elementos fundamentais para estabelecer o link direto. É preciso, pelo menos, saber se cada secretaria dispõe de um gestor que 'morra de fazer sozinho' o que, muitas vezes, resulta em nada, por falta de contra-partida no caixa ou por falta de um simples terreno escriturado para edificar algo conquistado.

MUITAS VEZES, ganhar eleição não é tão difícil quanto arranjar coragem para quebrar paradigmas depois de eleito. Nós ainda não conhecemos Alexandre no quesito citado. À ele, devemos conceder o benefício da dúvida a este respeito. Há muita esperança em jogo e o destino de quase cem mil pessoas em suas mãos. Araripina precisa de gestão. Só em 2014 teremos bandeiras nas ruas outra vez.

O tempo voa. Para Alexandre, mais ainda. Sua equipe 'técnica' já deveria está debruçada sobre montanhas de papéis e espalhada pelos órgãos estaduais e federais em busca de brechas para entrar com algum projeto que resulte em conquistas e popularidade inicial, justamente aquela que o gestor precisa para aprofundar as reformas estruturais.  O dia 31 de dezembro é geralmente escolhido para celebrações, confraternizações. Vamos torcer para que Alexandre consiga confraternizar tendo conseguido fazer boas escolhas que lhe permitam entrar em primeiro de janeiro com a máquina toda testada e pronta para acelerar.
A contagem é regressiva. Alexandre está pensativo. É bem melhor do que está afobado.

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