quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sugestão de leitura

A carnavalização do juízo, por Elio Gaspari

Elio Gaspari, O Globo
Querem carnavalizar o julgamento do mensalão. O procurador-geral Roberto Gurgel viu-se acusado de “desonestidade intelectual” pelo advogado Antonio Carlos de Almeida Castro (pode me chamar de Kakay) numa peça de oratória produzida no piano-bar do restaurante Piantella.
Na noite de segunda-feira, o advogado do comissário José Genoino pediu ao pianista que tocasse o tema de O Poderoso Chefão. Noutro pretório noturno, o bar do hotel Naoum, advogados de defesa dos 38 réus organizaram uma espécie de “bolão”. Como votará a ministra Cármen Lúcia? “Essa condena até Papai Noel.” Marco Aurélio Mello: “Subiu no muro.”
Do outro lado da tribuna, o ministro Marco Aurelio Mello tornou-se uma espécie de comentarista olímpico do julgamento. Terminada a sessão, discute o processo. Numa entrevista aos repórteres Fausto Macedo e Felipe Recondo, deu à “Ação Penal 470” uma nova dimensão: “Você acha que um sujeito safo como Lula não sabia?”
A pergunta, solta, é uma simples e relevante insinuação. Num voto articulado, pronunciado na Corte, seria muito mais. De qualquer forma, Nosso Guia não está acompanhando o caso, pois “tem mais o que fazer”. Pena que não declare seu interesse pelo futuro de tão diletos companheiros. Sabia-se que Lula era um daqueles ursos que comem os donos, mas não se esperava que comesse José Dirceu desse jeito.
Não há notícia de formação de uma mesa de advogados no bar do Metropolitan Club de Washington para jogar conversa fora durante um julgamento na Corte Suprema. Também não há notícia de um Ministério Público que coloca na internet uma página infantil intitulada “Turminha do MPF”, com uma espécie de “mensalão para jovens”.
Leia a íntegra em A carnavalização do juízo

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