quarta-feira, 4 de julho de 2012

O que falam de Eduardo Campos no eixo Sul-Sudeste

O PT acreditava que os adversários a serem batidos em 2012, com vistas ao jogo principal de 2014, eram o PSDB e o PMDB, os dois únicos que poderiam, segundo a ótica petista, ameaçar seus sonhos de hegemonia na política nacional e de controle do poder para uns bons anos futuros, até 2018 ou, quem sabe, para além deste período.
Os tucanos por razões óbvias são a oposição de fato e de direito, embora confusa, e os únicos que, teoricamente, podem ameaçar a permanência do PT no poder Federal. Por isso, até, o empenho superior para derrotar o PSB em seu berço – agora, na Prefeitura da capital paulista, com uma preparação para tomar o Palácio dos Bandeirantes em 2014.
O PMDB por seu tamanho, sua capilaridade, é um parceiro incômodo por seu apetite e suas exigências e que, como um pêndulo, pode mudar os rumos de sua aliança e fazer o negócio da política pender para outro lado. A ideia é enfraquecer o PMDB e substituí-lo por outra legenda como parceiro preferencial nos próximos anos de poder.
II
De repente, não mais que de repente, o PT começou a desconfiar que o verdadeiro adversário pode ser outro, exatamente aquele que ele estava cevando para futuras alianças prioritárias : o PSB do governador Eduardo Campos (PE).

 
Eduardo Campos - Foto: Gustavo Miranda/Agência O Globo

As manobras políticas do neto do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes na condução das alianças municipais despertaram nos petistas a certeza de que Campos, político jovem, simpático, e bem avaliado como governante, está armando voos próprios que não passam necessariamente pelas asas do PT.
III
O rompimento das alianças com os petistas em Recife e em Fortaleza foram os primeiros sinais de alerta. A demora da definição em SP e depois as confusões causadas por Luiza Erundina em SP também levantaram suspeitas.
Finalmente, veio no fim de semana a decisão do PSB de BH de não aceitar coligação para a eleição de governadores, levando ao rompimento da aliança entre os dois partidos para reeleger Marcio Lacerda.
Mesmo que a crise de Minas seja contornada, pois ainda há tempo, a desconfiança ficou. Para os petistas, Campos só quer vantagens, só cede mesmo onde seu partido não tem interesse ou está fraco. O fantasma da traição ronda a mente de muitos petistas. O problema é o que fazer, uma vez que o PMDB não é de incentivar ninguém a pôr a mão no fogo por sua fidelidade.
O PT começa a ficar isolado politicamente. Um tanto por sua própria culpa, por seu próprio apetite. Quem com hegemonia fere, corre o risco de ser ferido com traições.

José Márcio Mendonça é jornalista e Francisco Petros, economista

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