segunda-feira, 18 de junho de 2012

Vitória da direita na Grécia, depois de vitória da esquerda na França.

Antonis Samaras, líder do partido conservador Nova Democracia (ND), venceu neste domingo, 17, as eleições parlamentares e deve se tornar o novo primeiro-ministro da Grécia. Com a vitória, sua legenda, pró-austeridade, abrirá negociações oficiais nesta segunda-feira, 18, para a formação de um governo de "salvação nacional", em coalizão com o Partido Socialista (Pasok) e com legendas menores.

O resultado das urnas também alivia, pelo menos por ora, as pressões para que o país mais endividado do bloco deixe a zona do euro. Com 99,83%% das urnas apuradas até as 22:34, o partido liderado por Samaras tinha um total de 29,66%% dos votos, elegendo 129 deputados. Em segundo lugar, com 26,89%, estava a Coalizão de Esquerda Radical (Syriza), liderada por Alexis Tsipras, que elegia um total de 71 representantes.

O Partido Socialista, atualmente majoritário, estava em terceiro lugar, com 12,33% dos votos e 33 assentos no Parlamento. Outros quatro partidos (Gregos Independentes, Esquerda Democrática, Aurora Dourada e Partido Comunista) dividiram as 67 cadeiras restantes.

O resultado oficial, quando confirmado, dará direito a Samaras de costurar a formação de um governo de coalizão, que deve ser integrado por Nova Democracia, Pasok, Esquerda Democrática e, possivelmente, Gregos Independentes. Os dois primeiros partidos são considerados "pró-austeridade", por seu compromisso com os termos do programa de socorro de € 130 bilhões concedido pela União Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Até a noite de ontem, as discussões sobre a formação de um governo de coalizão não tinham sido iniciadas oficialmente, o que deve ocorrer hoje, encerrando um impasse político iniciado em 6 de maio. Há só um problema: alguns líderes do Pasok condicionam a formação de um governo à participação do Syriza, hipótese excluída por Tsipras desde as últimas eleições fracassadas.

Em seu primeiro pronunciamento oficial, Samaras reiterou seu compromisso com o acordo firmado com Bruxelas, garantindo que "cumprirá suas promessas". Ele não pronunciou a palavra "austeridade". "A Grécia vai permanecer na zona do euro e esperamos que as políticas tragam crescimento, justiça e desenvolvimento para o povo grego", afirmou. Samaras também classificou a eleição como "uma vitória para toda a Europa", mas pediu estímulo ao crescimento.

Logo a seguir, Tsipras falou aos jornalistas, reconhecendo a derrota e garantindo que não participará da coalizão governamental. Em lugar disso, ele pretende liderar uma "força antiausteridade", de oposição, no Parlamento.

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