sábado, 9 de junho de 2012

A tática de Eduardo Campos, na visão dos paulistas.

Preocupado com a crise do PT pernambucano, que parece não ter fim, o governador Eduardo Campos (PSB) começou a preparar o time para entrar em campo: exonerou quatro dos seus principais auxiliares, todos com domicílio eleitoral em Recife, como forma de manter “reserva técnica” caseira para a sucessão municipal.

Um deles é o presidente do diretório regional do PSB, Sileno Guedes, que recebeu a missão de ouvir as bases do partido e das legendas aliadas. Eduardo Campos foi eleito para o Palácio do Campo das Princesas com o apoio de 19 partidos, inclusive o PT. Mas começa a dar sinais claros que cansou de esperar pela definição do aliado sobre a eleição para a prefeitura de Recife. O governador manifestou aos correligionários a preocupação com os prazos e a formação das chapas para a Câmara Municipal de Recife e do interior.

No último dia previsto pela Justiça Eleitoral, Campos anunciou o afastamento de Geraldo Júlio (Desenvolvimento Econômico), Tadeu Alencar (Casa Civil), Danilo Cabral (Cidades) e do próprio Sileno. Todos são de extrema confiança e ocupavam cargos estratégicos no estado. Campos já tinha afastado Maurício Rands (Governo) que se tornou um dos pivôs da crise do PT em Recife. O ex-secretário disputou a prévia do partido com o prefeito João da Costa, mas perdeu . Ele e seu grupo político — o Construindo um Novo Brasil (CNB) — apelaram à direção nacional do PT para que a primária fosse anulada, o que terminou ocorrendo. A cúpula do PT decidiu que o derrotado e o vencedor renunciassem para ceder o lugar a um terceiro nome que garantisse a unidade.

Rands atendeu, mas o atual prefeito João da Costa insistiu em lutar pela reeleição. Desde então, o partido rachou em Recife: de um lado a CNB e de outro João da Costa e seus seguidores. O prefeito é independente e não pertence a nenhuma das 18 correntes do PT pernambucano. A Executiva Nacional do partido determinou que o candidato da unidade seria o senador Humberto Costa (PT-PE).O prefeito disse que vai recorrer da decisão da Executiva (21 membros) ao diretório nacional, que é um colegiado maior (87). 

Na sexta-feira, Sileno disse que o PSB respeita o espaço político do PT na capital, mas ressaltou que foi preciso agir por precaução: — A gente vem observando a movimentação do PT e entende que é esse partido que tem que comandar o processo sucessório em Recife. Mas desde cedo aguardamos um desfecho para a crise interna que nunca chega. Nossa expectativa era que a crise acabasse com a realização das prévias, o que não ocorreu. Também esperávamos que a Executiva Nacional conseguisse pacificar a legenda. E não vimos nada disso. Enquanto o PT mergulha na crise, não se debate os problemas da cidade nem se fala na manutenção da Frente Popular (que elegeu o governador e o prefeito), nem se apresenta à sociedade um modelo para se governar a partir de 2013 — reclamou. Ele disse que o governador começou a se inquietar, ouviu as lideranças do PSB e chegou à conclusão que era importante ter um quadro de reservas.

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