segunda-feira, 25 de junho de 2012

COMENTÁRIO
Enquanto a Inglaterra reabre sua embaixada fechada em 2005, o Vaticano, Canadá e Alemanha reconhecem o novo governo, a diplomacia do Brasil vai de arrasto nas decisões bolivarianas de expulsarem o Paraguai do Mercosul, para colocarem no seu lugar a Venezuela. É uma vergonha que a diplomacia brasileira fique em cima do muro, enquanto os bolivarianos decidem o futuro de um país que nos fornece 20% de energia.
 
O ESTADÃO
O Brasil e as demais nações da América do Sul decidiram suspender o Paraguai do Mercosul e da Unasul até as eleições presidenciais previstas para abril do ano que vem. Em comunicado ontem à noite, a Chancelaria da Argentina confirmou a suspensã. A ideia, costurada no fim de semana, é uma resposta ao impeachment-relâmpago do presidente Fernando Lugo, na sexta passada. Os vizinhos querem desencorajar ações similares na região.

Em reunião com ministros anteontem, a presidente Dilma Rousseff foi informada sobre rumores de que Federico Franco -o vice que se tornou mandatário em 30 horas- pretende antecipar as eleições de 2013 para este ano. Convocado para consultas pelo Itamaraty -sinal diplomático de reprovação- o embaixador do Brasil em Assunção, Eduardo dos Santos, pode permanecer em Brasília até o fim da gestão Franco. Não se sabe qual efeito terá o isolamento paraguaio do Mercosul e da Unasul (União de Nações Sul-Americanas). Espera-se que a suspensão pressione o atual governo.

Nos bastidores, quase ninguém crê em reversão do quadro paraguaio. Para ministros e a própria Dilma, Lugo não buscou nem conseguiu mobilizar a população -na reunião, ele foi comparado a Manuel Zelaya, presidente hondurenho deposto em 2009, que resistiu por meses. O encontro que decidirá o destino imediato do Paraguai está marcado para a próxima sexta, durante reunião do Mercosul, na Argentina. O novo governo paraguaio deve ficar de fora, mas Lugo afirmou que participará do evento.

As relações comerciais com o Paraguai são tradicionalmente favoráveis ao Brasil. Por conta do Mercosul, porém, o fluxo comercial se acelerou. Em 2011, as transações entre os dois países bateram recorde (US$ 3,684 bilhões). Apesar do desejo de Dilma de desencorajar outros países a seguir o caminho do Paraguai, não há no governo brasileiro nenhuma vontade de retaliar sozinho o governo Franco. Por ordem do Planalto, o Brasil só adotará decisões coletivas e no âmbito de organismos multilaterais.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, suspendeu o envio de petróleo da estatal PDVSA, na primeira sanção econômica a Franco, e decidiu retirar seu embaixador de Assunção, medida também tomada pelo Equador. Chile e Peru convocaram seus embaixadores para consultas. (Folha de São Paulo)

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