terça-feira, 20 de março de 2012

Só se fala em racha e traição

Eis aí no que deu a briga lá em Recife. E de lá sobe Estado à dentro, rachando e estimulando traições de parte a parte. O ex-prefeito João Paulo, que é homem do povo, deve estar se perguntando: "Se o povo me quer, porque os políticos não me querem?". Vai descobrir tarde que o problema não é com ele, e sim com o sistema que tenta impedir que os mais fracos, que nasceram em casas modestas, cheguem ao topo do poder. Se JP tiver vergonha apoiará um nome de oposição.

"Até a próxima sexta-feira, o prefeito João da Costa não terá adversários no PT como postulante à reeleição. Mas a partir do final de semana o cenário político sofrerá alterações. A corrente majoritária do partido, “Construindo um Novo Brasil”, liderada em Pernambuco pelo senador Humberto Costa, vai oferecer aos petistas a candidatura do deputado Maurício Rands com apoio do presidente Pedro Eugênio, do deputado João Paulo, do ex-presidente Lula e, possivelmente, de Eduardo Campos.

Humberto havia dito lá atrás que a corrente liderada por ele iria esperar até janeiro para que João da Costa unisse o PT e o conjunto da Frente Popular. Chegou-se ao final de março e não ocorreu uma coisa nem outra. O prefeito não une o PT porque o deputado João Paulo não o quer como candidato e também não une a Frente Popular porque o senador Armando Monteiro (PTB) e os deputados Cadoca (PSC) e Eduardo da Fonte (PP) estão decididos a não apoiá-lo. Daí a alternativa Rands.

Como o Recife é uma cidade estratégica para o PT e o partido tem outras opções capazes de unir o conjunto da Frente, o senador Humberto Costa decidiu confrontar-se com o atual prefeito. Ele vai bancar dentro do partido a candidatura do secretário do governo, o que obrigará o presidente Pedro Eugênio a marcar uma prévia para definição do candidato. A consulta aos filiados só será dispensada se Rands reunir em torno do seu nome dois terços mais um dos votos dos membros do diretório municipal.

Racha 1 – A entrada de Maurício Rands na disputa interna do PT pela definição do candidato à PCR obrigará João da Costa a fazer uma mudança radical na sua equipe. Deverão sair Cláudio Ferreira (assuntos jurídicos), Gustavo Couto (saúde) e Luciana Félix (Fundação de Cultura).

Racha 2- Dos membros da CNB que integram o secretariado de João da Costa, só deve ficar no governo o deputado André Campos (turismo). Que disse ontem à Rádio CBN que o atual prefeito será candidato, com Milton Coelho (PSB) na vice, e terá o apoio de Eduardo Campos.

Racha 3 – Se Rands vencer a disputa interna no PT e tornar-se o candidato do partido à sucessão de João da Costa, o senador Armando Monteiro Neto (PTB) reavaliará a tese da “candidatura alternativa”. Essa tese ganhou força na Frente Popular devido à alta taxa de reprovação ao atual prefeito. Mas se o PT apresentar outro nome de que não seja o dele, o PTB admite apoiá-lo.

Racha 4- O PSC do deputado Cadoca também admite apoiar Rands se ele for o candidato do PT. Diz que João da Costa não teve “capacidade política” para aglutinar todos os partidos que dão apoio a Eduardo Campos porque nunca os procurou para conversar. Ele próprio tem um exemplo em casa: faz política no Recife há 40 anos e não conhece o prefeito pessoalmente.

Racha 5- Espécie de “cão de guarda” de João da Costa, André Campos estará ao lado do prefeito, pro que der e vier, juntamente com o deputado Fernando Ferro, o secretário Henrique Leite (governo) e o presidente do PT do Recife Oscar Barreto. Será a única baixa da CNB.

Racha 6 – Os secretários Sebastião Rufino (habitação) e José Marcos (saneamento) vão seguir a orientação dos seus partidos após a definição do candidato do PT à prefeitura do Recife. Se o PR e o PSB se abraçarem com Maurício Rands, eles vão deixar o governo para apoiá-lo.

Racha 7 – Já como pré-candidato do PT à PCR, Maurício Rands viajou ontem a Brasília para conversar com o presidente nacional do partido, Rui Falcão, e outros pesos pesados da CNB. Ele levou na pasta o resultado de duas pesquisas para provar que o PT pode ficar sem a PCR se porventura marchar com João da Costa. Uma delas foi feita pelo Cipec por encomenda do PSB.

Racha 8 – Na avaliação da cúpula do PT, há uma “malquerença” do povo Recife em relação a João da Costa e isso tem que ser levado em conta pelo partido. Fez-se uma pesquisa para saber a causa da elevada taxa de rejeição ao atual prefeito e 35% responderam que não votam mais nele “porque é traidor”.

Retirei o que está entre aspas do blog de Inaldo Sampaio, que nunca negou que escreve o que interessa ao Palácio.

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