quinta-feira, 29 de março de 2012

O troco de Marta: "Lula não elege Haddad"

Quem não conhece Marta Suplicy que a compre. O que ela está dizendo é que quer mandar sozinha na campanha de Haddad, sem a interferência nem mesmo de Lula, que a descartou quando tinha 30% das intenções de voto, trocando-a por um desconhecido que não sai dos 3%. Toda a agressividade de Marta significa: só entro nesta canoa se mandar sozinha. E se me buscarem carregada nos ombros.

Enquanto o PT tenta administrar uma crise interna sobre a coordenação da campanha do ex-ministro Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo e dirigentes já externam a preocupação com as dificuldades para o nome do petista decolar, a senadora Marta Suplicy (PT-SP), indignada com as pressões do Palácio do Planalto e da cúpula para socorrer o candidato, escancarou na última quarta-feira, 28, a insatisfação com a estratégia de seu partido. "Haddad tem que gastar sola de sapato", disse a senadora ao Estado. "Além disso, as alianças farão diferença. O restante é conhecer os problemas da cidade e conquistar a militância. Ninguém pode substituir e nem fazer isso pelo candidato."

Marta fez o comentário ao saber que o governo e o PT farão uma força-tarefa para pressioná-la a entrar na campanha e auxiliar Haddad, principalmente na periferia, conforme revelou o Estado na última quarta. Ministros conhecidos em São Paulo, como o titular da Educação, Aloizio Mercadante - que concorreu ao governo paulista em 2010 -, e o da Saúde, Alexandre Padilha, também serão escalados para agendas. Depois de ter sido obrigada a desistir da disputa na capital paulista, Marta avaliou que o PT erra novamente ao lhe cobrar ajuda agora, quando deveria procurar aliados, e alfinetou o candidato.

"Não se turbina uma candidatura com desespero, pressões e constrangimento", escreveu a senadora no Twitter. Sem esconder a mágoa por ter sido excluída da disputa bem antes da entrada do ex-governador José Serra (PSDB) no páreo, a ex-prefeita de São Paulo (2001 a 2004) usou o microblog para dar o seu recado, abrindo uma crise no PT. Enquanto Marta tuitava e esbravejava contra o PT, Haddad, em entrevista a uma rádio da capital, elogiava a gestão da petista e dizia que foi uma honra trabalhar ao lado dela - ele foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças na gestão da ex-prefeita.

"A tese de que qualquer candidato do PT tem assegurados 30% do eleitorado não é totalmente verdadeira. O desafio principal do momento é o de convencimento e costura do mais amplo leque de forças, que seja capaz de derrotar o PSDB em São Paulo", insistiu Marta no Twitter. Desde 2000, os candidatos majoritários do PT à Prefeitura tiveram votação de pelo menos 30% - incluindo, além de Marta, José Genoino e Mercadante.

A reação de Marta foi uma resposta a declarações do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para quem a campanha em São Paulo não pode apostar todas as fichas na presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Carvalho disse ainda que é preciso "colar" Haddad na militância. "O Lula é um ator muito importante eleitoralmente, mas não dá para jogar nas costas dele toda a nossa campanha em todo lugar do Brasil", reiterou o ministro ontem, que passou a tarde com Lula em São Bernardo do Campo, após a notícia de que o tumor do petista foi extirpado (leia abaixo).

Segundo o ministro, Lula lhe disse que participará moderadamente de campanhas. "Ele quer contribuir moderadamente. Ele sabe que o estado de saúde dele não recomenda sair fazendo comícios em tudo que é lugar. E acrescentou: "Precisamos tomar cuidado porque o Haddad não é o centro da vida do Lula. É uma coisa importante, mas nós comentamos isso: a militância historicamente precisa entrar na campanha para dar peso". Carvalho insiste: a campanha em SP não pode se resumir a Lula.

O presidente do PT na capital paulista e coordenador da campanha de Haddad, vereador Antonio Donato, disse ontem que é impossível fazer a candidatura decolar neste momento. "Não tem milagre agora. "Haddad vai crescer em agosto, antes é difícil, porque não tem mídia de massa. Então não tem desespero." Para o deputado José di Filippi Jr. (PT-SP), que recusou convite para ser tesoureiro de Haddad, "a campanha é televisão e muito corpo a corpo" e "o crescimento é uma questão de tempo". (Estadão)

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